nevver:

Pattern recognition, Romina Ressia

(Source: rominaressiaph.com)

Meus dias na Alemanha foram repletos de insegurança. É um medo generalizado que passa por todos os instantes: de abrir a porta quando a campainha toca, pois você vai ter que falar alemão, até comprar a comida errada porque não entendeu a embalagem, dizer algo completamente errado em alguma situação séria, falar pra moça que te pediu informação na rua andar para o lado esquerdo, quando na real ela deveria só seguir reto. Medo de tudo o que é novo. E o novo está por toda parte.

Aqui eu aprendi que muita coisa na vida depende da gente. E eu dependi de mim mesma por sete meses. Com alguns ombros amigos por perto, vá lá, mas 01h30 da madrugada nunca tinha alguém por perto pra me ajudar nas crises de choro - como essa que tenho agora.

Aqui eu senti falta da minha casa e da comida da minha mãe. Senti falta da minha irmã atendendo o telefone e gritando ‘Tata, é pra você!’. Senti mais falta ainda da minha avó. Senti falta de amigos queridos e próximos e dos queridos e distantes. Pq distantes se são tão queridos? Espero resolver isso.

Aqui eu me senti descartável ao perceber que a vida de todo mundo seguiu enquanto eu estava sozinha. Aqui eu questionei se era importante pra alguém, se a falta que meus amigos e familiares era recíproca. Questionei se eles continuariam gostando de mim depois de tanto tempo fora.

Seis meses é pouco pra internalizar um idioma. Meu alemão continua ruim, mas a compreensão está mil vezes melhor. Mas seis meses é muito tempo pra se pensar e observar com olhar distanciado. No meu caso, com o olhar e o corpo distanciados do que é meu mundo real.

Aqui eu conheci pessoas incríveis. Aqui eu ouvi ‘Nathaly, você é a melhor’, pois praticamente ninguém me chama de Nates. Aqui eu encontrei alguém que me define como a pessoa mais doce do mundo.

Tenho pouco mais de um mês aqui. A volta pra São Paulo pode ser por uma semana ou pra sempre, mas é como se uma fase da minha vida se encerrasse juntamente com esse semestre de verão que fiquei em Colônia, uma cidade que me trouxe pouco sol, muita chuva e muitas alegrias. Mais difícil do que deixar tudo isso será voltar a ser como eu era.

E se eu pudesse dar um agradecimento, esse seria pra única pessoa que me fez acreditar em um elogio nos últimos anos. Espero poder te ver em breve. 

sobre o término e o retorno

em menos de três meses meu intercâmbio acaba. por mais que eu tente, acho difícil conseguir ficar aqui por mais tempo. difícil, sim, mas não impossível. (mas difícil, rs).

eu amo esse lugar de um jeito muito particular. ainda não entendo todas as placas, de tempos em tempos fico lendo as embalagens no supermercado com o celular ao lado, traduzindo as palavras desconhecidas. palavras essas que são muitas, bem como as pessoas daqui. a maioria ainda é desconhecida. mas de vez em quando é possível me ver passando pelos prédios da universidade e ouvir alguém gritar do outro lado do corredor ‘Nathaly! alles gut bei dir?’. e nessas horas a minha felicidade fica estampada no rosto, acho difícil de disfarçar.

não quero voltar. não agora. eu sinto que, por esse instante, não pertenço mais à vida que eu levo em SP, não pertenço às pessoas, não pertenço a nada daquilo. 

nevver:

Who’ll stop the rain?

(Source: oodmoriarty, via clairemonet)

estar longe de casa é pensar em quantas risadas, lágrimas e abraços você perdeu. a gente sobrevive sem arroz e feijão, sem fanta uva, sem paçoquinha. mas sem os amigos e a família… a coisa complica.

tem dia que a saudade bate forte.

ich bin nach Frankreich gereist :)) 
olheosmuros:

Comemora sem alardeAvenida Heitor Penteado, São Paulo, SP. Foto enviada por Cauê Maia. Intervenção por Coletivo Transverso.
nates in: ‘be welcome!’

(Source: thebeautymodel, via loveyourchaos)

selfie antes da interação social semanal pode sim ou não 
erinthepirate:

Cactus